Duas versões

Digital
Digital
Aquarela
Aquarela

Para muita gente, a diferença entre os meios digitais e tradicionais não representa um desafio. A grande maioria dos artistas estão em paz com seu trabalho e produzem belos resultados em qualquer mídia disponível. Invejo muito essa postura.

A transição do tradicional para o digital sempre foi um nó na minha cabeça, em que o cabo de guerra entre a conveniência do digital sempre consegue uma dianteira frente ao prazer em lidar com uma multitude de diferentes materiais, experimentações e acidentes que os materiais tradicionais propiciam. Incluo em ‘conveniência’ não só a facilidade em controlar o trabalho em si, mas também a possibilidade de atender a todo tipo de correção que o cliente demanda.

No meu caso a conveniência tem um preço alto pois, depois de quase 20 anos trabalhando quase exclusivamente com o digital, vejo que perdi a vitalidade dos acidentes propiciados pelas mídias tradicionais. O desafio de estar frente a uma folha de papel em branco (do sulfite ao Arches) é bem maior do que o de estar frente a um arquivo aberto no Photoshop ou Painter. Acrescente-se a isso a impossibilidade de ter um original, no máximo uma boa cópia impressa, e você começa a sentir uma certa frustração, não só de que perdeu o diferencial, mas de que produziu pouco para 20 anos de carreira.

Pode ser uma auto análise pessimista mas, é através dessas constatações que as soluções começam a dar o ar da graça. Como disse acima, invejo quem não passa por esses conflitos e lida pacificamente com todas as variáveis que são jogadas em suas mãos mas, no meu caso, esses conflitos estão sendo importantes para o amadurecimento da minha visão como artista.

Nossa, isso tudo para justificar duas versões do mesmo desenho… :-/